KALLESTY,
A LENDA
A batalha de Guaxenduba, importante episódio da nossa história, referenciada e louvada no Hino do Maranhão, ficou conhecida principalmente pelo Milagre de Guaxenduba. Porém, a aparição de Nossa Senhora não foi a única lenda deixada pela batalha.Ano de 1615. Chega à costa maranhense a armada portuguesa de Jerônimo de Albuquerque com o objetivo de expulsar os franceses. Os portugueses contavam com poucos homens para o duelo, porém traziam consigo um grande aliado, um conde, misto de pirata e guerreiro invencível e imortal. Seu nome: Kallesty Scravinschi e a única forma de vencê-lo seria aprisionando seu espírito.Os franceses e aliados somavam maior número e, durante a batalha, concentraram sua atenção em Kallesty, com a intenção de matá-lo. Durante o violento embate, momentos antes da aparição da Virgem Senhora que deu a vitória aos portugueses, os invasores tentaram tirar a vida do grande herói europeu. Após seu desaparecimento, os índios, aliados dos franceses, raptam seu corpo. Em um ritual de forças sobrenaturais, aprisionam o seu corpo e prendem-no com pesadas correntes e um forte cadeado e colocam-no em um esquife onde, não só o corpo, mas também o espírito ficaria preso. Uma forte luz aparece incandescente aparece em meio ao esquife, belas mãos delicadas e de pele extremamente clara aproxima-se próximo aos lábios do forte guerreiro onde enfraquecido e próximo ao seu último suspiro, algo é posto umedecendo seus lábios evitando seu falecimento. Forte clarão faz com que sua imagem seja deslocada pelo ser desconhecido de asas translúcidas levando com sigo o guerreiro e o pequeno recipiente.Seu corpo foi aparentemente e secretamente sepultado nas proximidades do forte francês. As chaves do cadeado foram enterradas junto para que ninguém encontrasse e não o abrisse, pois o encanto lançado pelos índios, seria quebrado se o cadeado fosse aberto e seu espírito resgatado ao crer o nativos da época.O grande herói, de nacionalidade desconhecida e desaparecido aos 33 anos. Sempre fora admirado por sua bravura, inteligência e senso de justiça, qualidades que o tornaram conhecido por onde passava. Inveterado admirador das artes e da arquitetura européias, sempre buscara preservar as marcas do seu tempo que, como ele mesmo afirmava, era uma forma de manter a imortalidade.O bravo guerreiro tombou no Maranhão ao ajudar a erguer a história do Brasil.Terminava, assim, uma trajetória de vida, bravura e incontáveis vitórias. Começava a lenda de Kallesty Scravinschi.O tempo passou. São Luis ergueu-se imponente, reproduzindo em solo maranhense toda a majestade da arquitetura européia. Embora o mistério de seu aprisionamento fazia com que muitos pudessem ouvir misteriosos sons das construções e da vida que ocorria acima, através das galerias que cortavam o subsolo da ilha. Testemunhou cada momento da construção da nossa história. Sofria, chorava e desejava sair de onde o encontrava para ver novamente algo que o remetesse de volta à sua vida, seus amigos... seus amores.Ano de 2008. Depois de quase 400 anos, no dia do aniversário de São Luis, tendo por testemunhas as ruas, ladeiras, monumentos e casarões, Kallesty finalmente ressurge pelas mãos de dez seres misteriosos da natureza, guardiãs, seres fantásticos que vieram do passado para proteger a Ilha. Com seus poderes especiais finalmente quebram o encanto, libertando o nosso grande e misterioso herói.Porém, a alegria da tão desejada liberdade duraria pouco tempo. A beleza e o fascínio que Kallesty imaginava encontrar na cidade, já não mais existiam. Os prédios e casarões abandonados, depredados e quase em ruínas despertaram novamente um sentimento de tristeza e perda. Sente-se perdido e abandonado mais uma vez.Mas, mesmo desolado e quase sem esperanças, nosso herói deseja a restauração dos casarões históricos e de todo o patrimônio arquitetônico de São Luis como forma de manter vivas as lembranças dos seus melhores dias de glórias e do passado de magia e deslumbramento da querida cidade. Deseja eternizar as marcas do seu tempo e a imponência dos tempos áureos do passado.Através da sua música, “ San Luigi, Mia Bella “, Kallesty entoa cantos de louvor e homenagem à cidade de outrora e tenta sensibilizar população e governantes para a necessidade de preservar e reconstruir o que o tempo e o descaso não arruinaram.A melodia do seu canto, às vezes dilacerante, às vezes sussurrante e doce, ecoa pelas ruas e sobradões como uma eloquente declaração de amor, um terno afago na alma da cidade e na memória de todos que admiram este belo recanto do Brasil.No canto de Kallesty, uma súplica:Salvem o patrimônio da nossa São Luis! Salvem a nossa História!
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